O peixe cresceu a cada esquina
- 23 de janeiro de 2026
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O peixe era grande… mas foi crescendo a cada passo até virar lenda na chegada da vila.
O peixe era grande… mas foi crescendo a cada passo até virar lenda na chegada da vila.
Zé Lombriga saiu da beira do rio com um peixe grande.
Não enorme. Grande.
Mas peixe, fi, tem uma mania perigosa: crescer na estrada.
Na primeira esquina de terra, o compadre Joaquim gritou:
— Ô Zé! Que peixe é esse?
Zé respondeu com honestidade:
— Grande, uai.
E seguiu.
Duas curvas depois, parou pra ajeitar a corda. Um sujeito que vinha de bicicleta encostou:
— Rapaz… isso aí dá quantos quilo?
Zé pensou um pouco, coçou o queixo e falou:
— Uns dez… se tiver bem alimentado.
Gasolina latiu baixo, desconfiado. Já tava percebendo o truque.
Mais pra frente, perto da porteira da fazenda do Nico, juntou gente. Agora o peixe já parecia ocupar mais espaço na moto do que antes.
— Esse trem tá maior, não tá não? — alguém comentou.
Zé, sério:
— É impressão da estrada. Essa poeira aumenta tudo.
Gasolina cheirou o peixe de novo. Não tinha aumentado nada. Mas resolveu ficar quieto. Aquilo tava ficando interessante.
Na entrada da vila, já tinha plateia. Criança apontando, velho rindo, gente tirando conclusão sem perguntar.
— Nunca vi peixe desse tamanho aqui, não!
— Isso aí deve ter vindo do rio grande!
Zé Lombriga respirou fundo e falou, agora convicto:
— Esse aí? Se tivesse escapado, tinha levado o rio junto.
Gasolina latiu alto, como quem assinava embaixo.
Quando chegou na venda do Dito, o peixe já era praticamente lendário. Alguém perguntou se era verdade que ele tinha puxado a moto morro acima.
— Puxou não — corrigiu Zé. — Empurrou… debaixo d’água.
Risos gerais.
Gasolina tentou morder de novo, só pra ver se aquela grandeza toda era real. Não era. Mas história boa, fi, não precisa ser.
Porque em Minas, a gente sabe:
E aquele peixe, no fim das contas, não alimentou só a barriga.
Alimentou a vila inteira por muitos domingos —
nem que fosse só de riso.